Introdução

Eis que finalmente chegamos ao magnífico Devil May Cry 3 são incontáveis o número de vezes que eu finalizei o DMC3 e por isso posso garantir que ele é sem sombra de dúvidas o melhor jogo da série — ganhando por pouco do DMC5 — segundo a ordem cronológica oficial DMC3 é o primeiro jogo da série e por isso temos um Dante mais jovem e também com acentuação em todos os aspectos de sua personalidade comparado aos jogos anteriores, DMC3 não é apenas o melhor jogo por simplesmente ter aspectos melhores que os demais, mas sim por consolidar Dante como o protagonista favorito dos jogos — tanto que nos jogos com participação do personagem sempre é usado o modelo de DMC3 — podemos dizer que a franquia só chegou aonde está graças ao DMC3 mostrando o quão importante ele é, após o fracasso de DMC2 os fãs e até mesmo a Capcom pensou que seria o fim da franquia que havia começado com o pé direito, porém graças ao mestre Hideaki Itsuno toda a série foi repaginada e ganhou um norte que mudou por completo a maneira como Devil May Cry viria ser. Só para lembrar no seu lançamento o jogo ficou em oitavo nos jogos mais vendidos (Japão apenas), a primeira edição — sem contar os Special Edition e HD collections — vendeu cerca de um milhão e trezentas mil cópias ganhando título de platina. Vamos aos pontos de destaque de uma das obras-primas da Capcom.

Narrativa

Um dos pontos fracos da série até mesmo nos dias atuais com DMC5, porém diferente de DMC1 e DMC2 o terceiro jogo da franquia foi ousado e focou um bom tempo de desenvolvimento do jogo para criar uma narrativa que não apenas justificasse a ação desenfreada onde o personagem atravessa diversos cenários e mata uma porção de inimigos. Como dito na análise do primeiro jogo o personagem Nelo Angelo ficou tão popular que os produtores resolveram aproveitar o mesmo transformando o enredo na disputa dos irmãos gêmeos pelo poder de seu pai Sparda. Neste jogo Dante mais jovem que nos demais se vê preso num estabelecimento, sem trabalho e dinheiro já que ainda não havia decidido o nome para sua loja é então que um homem misterioso aparece na sua frente e envia um convite no nome de seu irmão Vergil (Nelo Angelo). Durante o jogo Dante se mostra um rapaz impaciente e que encara a maioria das situações com desprezo e chacota — acredita-se que essa seja a válvula de escape que Dante usa para se manter equilibrado emocionalmente devido a sua bagagem de perdas e desastres desde sua infância — ele rejeita abertamente sua metade demoníaca herança de seu pai e por isso odeia o assunto família já seu irmão do qual acreditava estar morto após serem separados quando criança na tragédia que culminou com a morte de sua mãe abraça por completo o poder de Sparda e não mede esforços para conseguir seus objetivos principalmente quando o assunto é poder.
I need more power! — Vergil é totalmente o oposto de Dante raramente sorri ou faz piadas é um cara devoto a livros, possui um nível intelectual alto e o que mais difere ambos, Vergil não possui remorso ou sequer demonstra afeição por quaisquer tipos de vida — que não seja a dele — e é isso que o torna o personagem mais misterioso da série. No caso de Dante nós conhecemos parte do seu passado e seus traumas que moldaram sua personalidade ao longo dos anos, porém pouco se sabe sobre Vergil e até mesmo no DMC3 quase nada é revelado sobre ele — nem mesmo no DMC5 sua jornada é revelada — tudo que sabemos é que Vergil nutri um ódio pelo seu irmão e não importa como ou o que seja necessário seu objetivo é derrotar seu irmão gêmeo.
Como em costume nos jogos de Devil May Cry, sempre temos uma personagem feminina que ira de alguma forma interagir positivamente ou negativamente — nesse caso ambos — com Dante. Bom eu não vou esconder que sem dúvidas Mary é minha personagem feminina preferida de toda franquia, diferente de Trish ou Lucia, Mary teve sua narrativa bem desenvolvida e com fortes aspectos nela que define a personagem como de uma garota colegial para uma assassina motivada e impiedosa quando se trata de demônios. Mary odeia de corpo e alma os demônios principalmente pelo fato de seu pai Arkham assassinar sua mãe em troca de se transformar num demônio, com todo esse desprezo no seu coração ela se arma até os dentes e vai atrás de seu pai para retribuir o favor pela morte de sua mãe. Quando ambos se encontram pela primeira vez Mary hesita por um segundo na luta e por isso acaba sendo arremessada para fora da torre Temen-ni-gru e é aqui a primeira vez que ela tem um diálogo com Dante — apesar de ter encontrado anteriormente na entrada da torre após o meio demônio acabar de derrotar o guardião Cerberus, porém naquela ocasião ela apenas atira contra o mesmo sem ao menos dizer uma palavra — durante o resto do jogo os caminhos de Dante e Mary se cruzam até o momento que o protagonista pergunta o seu nome e a garota responde de forma gélida — Chame-me como quiser — e é daí que nasce Lady (como muitos de vocês conhecem). A relação Dante e Lady é uma das incógnitas da franquia e muitos fãs realmente shippa o casal e isso vai render um post exclusivo por enquanto vamos nos manter nos eventos de DMC3. Apesar de o jogo deixar claro as convicções de Lady e na maior parte ela ser apresentada como uma garota extremamente habilidosa com armas e extremamente violenta quando se trata de demônios os roteiristas conseguem trabalhar a contramão dessa personalidade dando tanta humanidade para o personagem que é o motivo pelo qual tenho ela como preferido.
Durante as revelações do enredo Lady encontra seu pai supostamente morto por Vergil e ali é revelado que ele estava sobre influência do mesmo e que parte de seus atos foram causados por essa influência Lady prestes a matar seu pai que agonizava após ser ferido severamente por Vergil, agora se vê em prantos. Ela perdoa seu pai pouco antes do mesmo morrer e então direciona seu ódio para o irmão gêmeo de Dante, persuadida a acreditar ser o verdadeiro vilão por trás da morte de sua mãe. Nesse ponto vemos o quão intenso é o trabalho na personalidade de Lady que tem altos e baixos no decorrer do jogo e a todo momento suas motivações vão se alternando conforme ela começa a entender melhor todo o ambiente em sua volta, é como se no começo do jogo ela fosse apenas uma garota revoltada armada até os dentes com sede de sangue por qualquer demônio que cruzasse seu caminho e no final ela se transformasse numa mulher ainda armada até os dentes e com sede de sangue por qualquer demônio, mas que entende que até demônios e humanos podem ser iguais ou diferentes e não é apenas em questão de poder e sim de sentir amor, compaixão ou até mesmo desprezo e ódio. Lady é tão importante para o jogo que ela também é fundamental para o desenvolvimento de Dante transformando o garoto irritado sem nenhum vínculo com seu poder demoníaco e desprezando ao máximo sua herança familiar num homem do qual abraça seu poder sombrio para proteger o potencial de pureza da humanidade como seu pai teria feito há mais de dois mil anos mesmo isso significando ter que matar seu próprio irmão.
Não importa o quanto você jogue todos os jogos da franquia, você nunca vai encontrar um vilão tão foda na série quanto o Arkham, cara ele é simplesmente demais, minha primeira vez jogando DMC3 eu realmente fui enganado por este vilão acreditando que Vergil realmente fosse a mão que mexia as marionetes, porém era justamente ao contrário, Arkham dotava de um conhecimento invejável sobre Sparda e o submundo tanto que ele aprendeu um ritual para corromper sua alma as custas de ganhar poderes demoníacos, ele foi capaz de enganar Vergil — que era o personagem mais inteligente até então —, Lady e Dante fazendo todos dançar conforme a sua música guiando cada passo dos personagens para que tudo terminasse num grande espetáculo onde apenas ele sairia como vitorioso. É muito bom ver como DMC3 é forte em narrativa de personagens quando você pega o jogo e começa a destrinchar cada aspecto da trama você percebe que tudo foi tão bem trabalhado que não tinha como dar errado, Arkham fez com que Vergil ativasse Temen-ni-gru, pois só um descendente de Sparda poderia, ele fez Dante seguir Vergil aproveitando-se da rivalidade entre ambos, mais uma vez fez Vergil atravessar os confins da torre para chegar na câmara do ritual onde ali quebraria a magia ativa por Sparda de forma que conectava o submundo a torre onde o mesmo teria selado parte de seus poderes na sua espada Force Edge, ao mesmo que guiou Lady para estar no lugar certo e no momento certo para quebrar a magia já que ele teria dado uma fórmula incompleta para Vergil enquanto mantém todo o ritual para si.
Novamente volto a dizer o porquê da importância de Lady já que sem ela o ritual nunca poderia ser ativado, pois era preciso do sangue de uma virgem — sim a Lady é virgem e seu próprio nome remete a virgem Maria (Mary no inglês) — então todos os atos cometidos por Arkham sempre tiveram um único propósito que era para estar presente naquele momento específico onde ele no final reivindicaria os poderes de Sparda, vejamos: Arkham como humano não teria chances contra Dante ou Vergil então ele precisaria de um poder a mais se quisesse concluir seus objetivos, mas mesmo tendo o sangue do Sparda, o amuleto perfeito ainda faltaria o sangue de uma virgem para quebrar a magia e ele simplesmente não poderia levar qualquer mulher para a torre sem que Vergil desconfiasse — e também não é nenhuma mulher que sobreviveria na torre — sacrificar sua esposa no ritual para se converter em demônio transformar Mary numa maníaca em busca de vingança contra demônios era o plano perfeito, guiar Dante como Jester até a localização de Vergil para que ambos lutasse até ficarem exausto e então finalmente revelar suas verdadeiras intenções, admita, toda essa narrativa é muito boa e é por isso que Arkham é o melhor vilão da franquia em disparado contribuindo ainda mais para tornar DMC3 o sucesso que é.

Trilha sonora

Como já disse no post do primeiro Devil May Cry o jogo nunca erra nesse quesito e desta vez temos uma trilha sonora que marcou muitos como: O tema de batalha da primeira metade “Taste the Blood” / Tetsuya Shibata; o segundo tema de batalha do jogo “Divine Hate” / Tetsuya Shibata; e a tão adorável “Devils Never Cry” / Tetsuya Shibata que rola durante os créditos, essa são as mais memoráveis, mas o jogo está recheado de trilha sonora épica como no caso da trilha instrumental que rola durante a primeira batalha entre Dante e Vergil. Esse foi mais um dos aspectos que o jogo acertou em cheio superando totalmente seus antecessores.

Jogabilidade

Apesar de seguir a mesma mecânica do primeiro e segundo jogo, DMC3, traz inovações que deixam ambos parecendo coisa de criança. Os ranks de estilo continuam com variações que vão desde o D até o triplo S, porém para incrementar mais esses pontos obtidos o jogador agora tem uma variação extensa de combos para aplicar não só pelas novas Devil Arms como também por conta da seleção dos estilos de combate.
Dante agora inicia com quatro estilos de combates padrão que são: Trickster – estilo voltado para evasivas e malabarismo aumentando a mobilidade de Dante podendo aplicar combos maiores e escapar com velocidade de múltiplos ataques de inimigos; Swordmaster – voltado para tirar o maior poder das Devil Arms onde golpes exclusivos para cada arma de ataque corpo-a-corpo serve para aplicar mais danos e estilizar os combos; Royal Guard – o estilo mais fodão de todos com ele você pode bloquear quaisquer ataque dos seus inimigos fazendo com que Dante não leve dano ele ainda conta com outros dois golpes que são: contra-ataque e a parede de vida, no primeiro Dante pode liberar toda energia acumulada após bloquear diversos ataques de uma única vez aplicando um dano inigualável, no segundo Dante é capaz de criar uma barreira à sua frente onde quaisquer golpes que acertar esse círculo mágico é convertido em vida para ele, justamente por ser um estilo muito apelão o Royal Guard precisa de muita habilidade para domar já que o Full Guard só é aplicável no momento exato quando o ataque inimigo vai acertar o personagem assim como o contra-ataque; Gunslinger – possui o mesmo propósito do Swordmaster, porém voltado para armas de fogo.
No decorrer do game os jogadores têm acesso a mais dois estilos extras (Quick Silver e Doppelganger) desta forma não é surpresa pra ninguém que DMC3 tem uma vasta combinação de combate do qual o jogador pode se especializar para não só facilitar sua jogatina como também humilhar os inimigos, comparado com os outros dois jogos da franquia até então ele deixava ambos no chinelo e como visto até agora o palco já estava mais do que montado para o grandioso sucesso desse jogo.

Devil Arms

Um ponto específico do jogo que apesar de não influenciar muito como os antecessores visto até aqui, mas é muito atrativo visualmente e até então Devil May Cry 3 tinha as Devils Arms mais estilosas da franquia, armas como: Nevan, Cerberus, Agni e Rudra, Átermis e Kalina Ann são o toque visual estiloso do jogo. Ninguém nunca tinha imaginado matar demônios tocando uma guitarra, muito menos usar um Nunchuck de gelo, as espadas falantes de Fogo e Vento fizeram uma legião de faz por sua jogabilidade ser sólida e com combos agressivos e rápidos, Átermis era a arma de fogo mais ampla do jogo e você podia atingir diversos inimigos com ela causando muito dano com o estilo Gunslinger, e o que dizer da Bazuca cheia de funções que carrega o nome da mãe da Lady.

Dificuldade

Uma das críticas que o jogo recebeu na época da primeira versão foi a dificuldade — engraçado, pois DMC2 também tem a mesma crítica, porém ambos são extremos de dois lados — em DMC3 a dificuldade do jogo era extrema e segundo boatos progredir no jogo era realmente difícil por conta dos inimigos, porém como hoje em dia é praticamente impossível encontrar essa versão já que atualmente só conseguimos cópia da Special Edition ou HD Collection que carrega consigo uma Special Edition esse problema da dificuldade foi resolvido, porém você pode imaginar o quão difícil era o jogo já que tanto na SE DMC3 ainda era muito desafiador e domar dificuldades como Dante Must Die era realmente um desafio e tanto. Só por base de curiosidade DMC3 é o único jogo que tem dois níveis Hard, sendo um “Hard” e um “Very Hard” antes do DMD. Nos próximos jogos da série os nomes das dificuldades viriam mudar seguindo: Human, Devil Hunter, Son of Sparda, Dante Must Die, Heavem or Heavem, Hell or Hell e na edição de PC e posteriormente na SE dos consoles foi introduzido o nível Legendary Dark Knight que infelizmente não está presente no DMC5.

Special Edition

Acredito que todo mundo que jogou — pelo menos no Ocidente — Devil May Cry 3 jogou a versão da Edição Especial, nela não só os níveis de dificuldade foram reformulados como também foram introduzidos novas Skins para os personagens — como a skin de Sparda para Dante — e também a possibilidade de jogar com Vergil, na verdade você jogava toda a estória do jogo principal, porém com a Skin e golpes do Vergil, mas o jogo não possuía nenhuma cinemática ou revelação exclusiva do personagem, com exceção das cenas inicias que mostram como Vergil conheceu Arkham e como ele chegou na Temen-ni-gru. Vergil também tinha acesso ao Blody Palace e uma Skin exclusiva do Nelo Angelo que em sua forma normal ele se vestia como Sparda, porém aparentava marcas no rosto — posteriormente conhecido como Corrupted Vergil — e na forma Devil Trigger ele se transformava em Nelo Angelo, porém não era capaz de usar a Beowulf ou a Force Edge e seus golpes eram bem limitados.

Considerações Finais

Com isso termina mais uma análise pessoa dos jogos da franquia a maior parte dos argumentos servem para corroborar o fato de considerar DMC3 o melhor jogo da série mesmo depois com o lançamento de DMC5, quando chegar a hora de falar sobre DMC5 eu vou explicar os meus pontos de vista que fazem com que DMC5 não supere o 3 como melhor jogo. As novels e a série animada (Anime) de Devil May Cry serão os últimos materiais da franquia do qual vou analisar junto com posts que foca na relação de Dante e Lady e minhas expectativas para o futuro jogos da saga lembrando que algumas Novels e Prequels são difíceis de se encontrar no Ocidente e provavelmente quando encontra estão em inglês (o que não é problema), mas faz tempos que li os capítulos exclusivos para DMC3 e o Deadly Fortuna — sem contar que eu nem sei quando vão traduzir para o inglês Before Nightmare — então talvez essas análises demore um pouco mais.